Joel Cleto esteve na Póvoa de Lanhoso para falar sobre os Caminhos de Sant foto
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Joel Cleto: Das dificuldades no passado ao contexto da actualidade

O Theatro Club da Póvoa de Lanhoso acolheu uma sessão dedicada às origens medievais dos Caminhos de Santiago, que contou com a presença de Joel Cleto, arqueólogo e historiador amplamente reconhecido pelo seu trabalho de investigação e pelos programas televisivos de divulgação do património histórico português. Esta sessão, em que o Caminho Português de Santiago Leon de Rosmithal foi tema central, teve uma excelente adesão do público, que esgotou a capacidade da sala do Theatro Club.
A abertura da iniciativa esteve a cargo de Fátima Moreira, vice-Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e vereadora da Cultura, que agradeceu a presença de Joel Cleto e, na sua intervenção, fez um ponto de situação relativamente ao Caminho Português de Santiago Leon de Rosmithal, destacando as novas acções que o consórcio responsável pretende implementar com vista à valorização deste itinerário jacobeu.
Joel Cleto começou por fazer uma breve contextualização histórica sobre a vida de Santiago e a sua relação com a Gallaecia, antiga província romana no noroeste da Península Ibérica. Os presentes nesta sessão também ficaram a saber como é que a descoberta do túmulo de Santiago, já no séc. IX, despertou o interesse do próprio rei das Astúrias, Afonso II, que mandou edificar uma pequena igreja. Desde logo, o próprio rei Afonso II peregrinou até ao túmulo para estar próximo do corpo do Apóstolo que privou de perto com Jesus. Estavam criadas, a partir deste momento, as condições para assistirmos a um elevado fluxo de pessoas, de vários estratos sociais, em direção ao túmulo de Santiago para o venerarem e pedirem a salvação dos seus pecados, criando uma enorme e complexa rede de caminhos em direção à Praça do Obradoiro.
O historiador destacou também que a figura de Santiago nem sempre esteve exclusivamente associada ao contexto religioso. Em plena Idade Média, passou a ser utilizada em contextos militares, surgindo representada sobre um cavalo a dominar um mouro, imagem que deu origem à designação de Santiago ‘Matamouros’.
Na parte final da sua intervenção, Joel Cleto abordou as dificuldades enfrentadas pelos peregrinos medievais para alcançarem os seus objectivos religiosos, estabelecendo uma comparação com a realidade actual dos Caminhos de Santiago.