Por Rui Miguel Graça
“O importante não é parar
de questionar. A curiosidade tem
a sua própria razão de existir.”
Albert Einstein
Porquê? É uma palavra que nos acompanha praticamente desde que começamos a falar e que, à medida que vamos crescendo, não desaparece. Da nossa mente, da nossa boca. Fazemos constantemente perguntas.
Porquê? Em 1886, O Maria da Fonte nasceu num tempo de desigualdades profundas, de centralismos excessivos e de vozes populares silenciadas. Nasceu para incomodar, para questionar, para dar palavra a quem não a tinha. Essa missão não envelhece. Renova-se.
Continuamos porque o jornalismo não é apenas informação rápida ou ruído constante. É memória, contexto e responsabilidade. Num tempo de desinformação, de simplificações perigosas e de discursos fáceis, afirmar o rigor, a independência e a ética é um acto de coragem. E também de teimosia — uma virtude que sempre caracterizou este jornal.
Continuamos porque somos herdeiros de uma tradição que liga o nome Maria da Fonte à coragem cívica e à participação popular. Não como nostalgia, mas como compromisso. Um compromisso com a verdade, com o território que servimos, com a comunidade que nos lê e nos questiona.
Continuamos porque acreditamos que a imprensa local e regional é um pilar da democracia. É aqui que se contam as histórias que não chegam aos grandes centros, que se fiscaliza o poder próximo, que se constrói identidade e pertença. Sem jornais livres e atentos, as comunidades ficam mais pobres — não apenas de informação, mas de futuro.
E continuamos, sobretudo, porque há leitores. Leitores exigentes, críticos, atentos. Leitores que nos acompanham há décadas e leitores que chegam agora, por novas plataformas, com novas linguagens, mas com a mesma necessidade essencial: compreender o mundo que os rodeia. Ter a resposta aos seus porquês? Ter no jornal Maria da Fonte essas respostas ao longo dos anos.
Aos que fizeram O Maria da Fonte ao longo destes 140 anos, a nossa gratidão. Aos que hoje o fazem, o nosso respeito. Aos que o lerão ama-nhã, a nossa promessa: enquanto fizer sentido perguntar “porquê”, fará sentido existir este jornal. É por isso também que quem tem esta profissão – jornalismo – tem a curiosidade no sangue, tem sempre a vontade eterna, quase como se fosse uma criança, de continuar a perguntar para depois escrever frases e palavras que, até se podem tornar eternas.
Porque perguntar é o primeiro passo para não aceitar tudo como inevitá-vel. E é por isso que continuamos.


















