Paulo Monteiro
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“Todos fazemos parte da história do ‘Maria da Fonte’”

O jornal Maria da Fonte fez este mês 140 anos. Festejou o seu aniversário ainda entre o Natal e o Dia dos Reis e por isso fê-lo em silêncio mas de barriga cheia por continuar a com muitos leitores, muitos assinantes, muitos povoenses, muitos emigrantes e um sem número de verdadeiros apaixonados por este jornal que já é um símbolo do concelho, do Minho, do país e do Mundo e que estão com ele de 15 em 15 dias, pelo menos, fisicamente. E por isso soprou as velas, as 140 velas entre festas porque a sua festa verdadeiramente começa a partir de hoje… mas já lá vamos!
Comecemos por recordar e homenagear quem tudo começou… Álvaro Ferreira Guimarães, Francisco Manoel Martins d’Oliveira e João António Rodrigues d’Azevedo Coutinho. Foi este ‘trio de ataque’ que a 3 de Janeiro de 1886 decidiu lançar o jornal ‘A Maria da Fonte’ – ‘Heroína de Lanhoso. Um ‘trio de ataque’ que surgiu para combater ‘A Maria da Fonte’, de Camilo Castelo Branco e lhe responder à letra – dizem os estudiosos… já que o grande escritor apenas publicava a versão daquilo que lhe era contado por José Joaquim Ferreira de Mello e Andrade. Por isso teria de haver uma outra voz uma outra versão dos acontecimentos… Um jornal para, como escreveu na altura Azevedo Coutinho “pugnar incessantemente pelos interesses da Povoa de Lanhoso, pelo procedimento da sua terra natal; e, tendo por lema – a imparcialidade – jamais deixará de ser fiel a seus princípios”.
O jornal ‘Maria da Fonte’ deixou cair o ‘A’ da sua fundação mas continua e continuará a pugnar pelos interesses da Póvoa de Lanhoso. Queremos continuar com a mesma cartilha de sempre: a de apostar cada vez mais na proximidade e mostrar o que se passa em cada canto do concelho. Mostrar aos milhares de assinantes espalhados pelo Mundo – e que infelizmente tiveram que deixar a sua terra para procurarem uma melhor qualidade de vida – o que se passa na Póvoa de Lanhoso. Será sempre este o nosso lema. Queremos, honrar o nosso estatuto editorial e “pugnar pela defesa dos interesses gerais do concelho e pela promoção das aspirações legítimas da sua população”.
Por isso, neste começo de festa, queremos homenagear todos os que trabalham e colaboram actualmente neste jornal e a todos os que trabalharam, colaboraram e fizeram a história do ‘Maria da Fonte’, um dos grandes centenários da história da Imprensa portuguesa e homenageado nos quatro cantos do Mundo.
E hoje queremos voltar a homenagear também a diáspora. Queremos voltar a dar um abraço enorme ao sr. Agostinho que está na Alemanha, ao sr. Alfredo que vive em França, à sra Fernanda que emigrou para Inglaterra, ao sr. Adelino que está no Brasil, ao sr. Agostinho, no Canadá, à Sr. Maria Alcina, no Luxemburgo, ao sr. Manuel, na Holanda, ao sr. Castro, em Espanha, ao sr. Joaquim, na Austrália, à sra Maria Emília, na Suíça… A estes todos porque continuam religiosamente a assinar o jornal e a estar connosco. Queremos também agradecer a todos os outros milhares de assinantes espalhados pelo mundo fora. Também a todos os assinantes em todas as freguesias da Póvoa de Lanhoso, a todos aqueles que assinam o jornal espalhados pelo Minho e por Portugal e Ilhas, queríamos agradecer-lhes e prestar-lhes a nossa homenagem porque sem o vosso contributo nada disto seria possível. Mas também queremos homenagear todos os assinantes que infelizmente já nos deixaram, não porque desistiram da assinatura, mas porque fisicamente já não se encontram entre nós. A todos eles – e que tantas histórias nos contaram – queremos dar um forte abraço de agradecimento e de louvor por terem sempre estado connosco. E também, a todos os familiares que decidiram continuar com a assinatura que foi feita pelo bisavô, pelo avô ou pelo pai ou mãe… Obrigado a todos!
E é aqui que também nos vamos centrar durante o ano de 2026 que é levar até si histórias dos povoenses. Não só dos que já partiram mas também daqueles que estão fora da Póvoa de Lanhoso e que têm histórias para contar. Vamos trabalhar mais intensamente com a diáspora e mostrar à diáspora o que se passa no nosso concelho. Mas durante 2026 ainda vamos fazer mais: ao longo do ano e em cada número vamos recordar o que aconteceu na Póvoa de Lanhoso durante os últimos 140 anos… vamos recordar a história do concelho vista pelo ‘Maria da Fonte’. Vamos recordar, por exemplo, a primeira Feira Franca de São José, o que escrevemos em 1918 em plena I Guerra Mundial, vamos falar da criação do SCMF (que acabou de festejar o seu centenário), da inauguração da luz eléctrica na vila, da história do Castelo, do ano em que o telefone chegou à vila ou da construção dos Paços do Concelho… não esquecendo o 25 de Abril de 1974 e as eleições livres.
Não faltam temas, não faltam notícias. Por isso nos 140 anos do jornal Maria da Fonte continue connosco. Vamos estar durante um ano em festa. Vai valer a pena. Parabéns jornal Maria da Fonte. Parabéns a todos os que fazem dele uma realidade. E obrigado a todos aqueles que nesta edição também deixaram o seu testemunho vivo.
Obrigado!